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PEDRO E O LOBO Conto musical para crianças.

 pauta   prokofiev



 

Estreou a 2 de Maio de 1936 pela Filarmónica de Moscou, sob a batuta do autor. Ficou assim uma obra de destaque para o repertório de Prokofiev, que proporciona uma ligação notável às crianças.

 


O sentido do palco e do espectáculo é uma característica das obras de Prokofiev.

 

Daí que nem mesmo uma história destinada originalmente a crianças se tenha coibido de provocar um leve sabor a drama, à medida da sensibilidade infantil, ao deixar por resolver a situação desconfortável do pobre pato que continua vivo mas na barriga do lobo.

 


"O que terá acontecido depois?"

 

parece ser a pergunta que o próprio autor deixa no final, e propositadamente remete a resolução desta situação dramática para a imaginação dos seus pequenos ouvintes.

 

Portanto "Pedro e o lobo" é uma história infantil contada através da música.

 

Foi composta em 1936, com o objetivo pedagógico de mostrar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos.

 

Cada personagem da história (Pedro, lobo, avô, pássaro, pato, gato e os caçadores) é representada por um instrumento diferente ou conjunto de instrumentos:

PEDRO: instrumentos de cordas

LOBO: trompas

AVÔ: fagote

PÁSSARO: flauta

PATO: oboé

GATO: clarinete

CAÇADORES: tímpanos



 

NARRAÇÃO:


- Esta é a história de Pedro e o Lobo. Um conto musical para crianças.

- A agora ouçam com atenção:

 

peter and the wolf by elandain

 

 

 

 

Certa manhã de sol, Pedro abriu o portão do jardim e foi dar um passeio pela campina toda em flor... (cordas)

 

- No alto de um galho muito alto, pousava o passarinho alegremente... (flauta e orquestra)

 

- Logo surgiu um pato, rebolando todo, fugia pelo portão, que Pedro esqueceu aberto, e ao perceber uma poça d'água no meio do campo, decidiu, já e já dar um mergulho... (oboé e cordas)

 

- Avistando o pato lá em baixo, o passarinho desceu de seu galho, pousou na relva perto dele e perguntou muito desdenhoso:

"que espécie de pássaro é você que não sabe voar?"

 

No que respondeu de pronto o pato: 

"e que espécie de pássaro é que não sabe nem sequer nadar?"

 

E sem dizer água vai, atirou-se na água da poça...(flauta, oboé e cordas)

 

- Ai que discussão interminável travaram os dois, o pato nadando na poça, o passarinho saltitando pra cá e pra lá. De repente, um ruído chamou a atenção de Pedro, era um gato, arrastando-se pela relva... (clarinete)

 

- Pensava o gato: "lá está o passarinho, distraído, discutindo, dou um salto e como ele!" ...

e furtivamente deslizava sobre suas patas de veludo... (clarinete)

 

- "Cuidado", grita o Pedro. E já o passarinho voava de volta para o galho... enquanto o pato de dentro d'água grasnava impropérios na direção do gato:

"quá, quá, quá"... (clarinete)

 

- O gato rondava a árvore e meditava:

"subo ou não subo até aquele galho tão alto? Quando chegar lá em cima, na certa o passarinho já voou".

 

 

Nisto surge o avô e não pouco zangado:

"então sr. Pedro, sai assim para o campo sem pedir licença, não vê que é perigoso, se aparecer um lobo para te comer, Hum?

O que é que fazes?" (fagote e cordas)

 

- Mas Pedro nem ligou. Então um menino como Pedro vai ter medo do lobo? (cordas)

 

- Mas o avô apanhou o Pedro pela mão, levou-o para dentro e trancou bem trancado o portão do jardim... (fagote e cordas)

 

- Bastou que entrassem, para surgir da floresta um grande lobo, cinzento e mau... (trompa)

 

- Num abrir e fechar de olhos, o gato subiu na árvore... (clarinete)

 

- O pato de tão nervoso, pulou da água pro meio da relva e começou a correr... (oboé e cordas)

 

- Mas não adiantava, porque o lobo corria mais. Foi se aproximando cada vez mais perto, cada vez mais, até que nhaqte...

 

Lá se foi o pato, engolido de um instante... (trompa e oboé)

 

- E portanto as coisas ficaram assim:

de um lado o gato, encarapinhado num galho... (clarinete)

- Do outro, o passarinho... (flauta)

- E a uma boa distância do gato, naturalmente... (clarinete e flauta)

 

- Enquanto o lobo rosnava e dava voltas espreitando os dois, com olhos esfaimados... (trompa)

 

- Enquanto isso, espreitando por uma fresta do muro, Pedro observava, sem sentir o menor medo... (cordas)

 

- Correu para dentro de casa, apanhou uma corda bem forte, voltou e trepou no muro.

Um galho da árvore que o lobo rondava, estendia-se até ao muro. Pedro segurou no galho e pulou para a árvore sem dificuldades.

Pedro disse então para o passarinho:

"agora você desce e fica rodeando ao redor da cabeça do lobo, mas tenha cuidado para que ele não te apanhe"... (flauta e cordas)

 

- O passarinho, só faltava mesmo pousar no nariz do lobo, que girava furioso sobre si mesmo e dava dentadas no vazio... (trompa e flauta)

 

- Ai que o passarinho aperriava o lobo, e que o lobo não daria para por-lhes os dentes em cima, mas o passarinho era mais esperto e o lobo se atirava sem proveito. Enquanto isso, Pedro, aprontou um laço e baixou-o com todo o cuidado... (cordas)

 

- Em seguida, envolveu o rabo do lobo e zaz, puxou com toda a força... (metais)

 

- O lobo sentindo-se agarrado, começou a pinotear desesperadamente para ver se, se soltava... (metais)

 

- Mas Pedro, amarrou no galho a outra ponta da corda. Quanto mais saltava o lobo, mais a corda lhe apertava o rabo.

Foi então... que um grupo de caçadores começou a sair da floresta, vindo na pista do lobo, e davam alguns tiros de vez em quando... (marcha dos caçadores)

 

- Mas Pedro lá do alto do galho começou a gritar: "por favor não atirem, não atirem!"

O passarinho e eu já prendemos o lobo. Ajudem-nos a levar para o jardim zoológico... (cordas e flauta)

 

- E agora... procurem imaginar uma formidável marcha triunfal. Pedro na frente, encabeçando o cortejo... (marcha)

 

- Atrás dele, os caçadores, arrastando o lobo. E por fim, o avô, seguido do gato, acenando a cabeça, dizendo descontente:

"hum, se esse Pedro não agarrasse o lobo, já pensaram?"... (marcha)

 

- Por cima deles voava o passarinho contando satisfeito:

"como somos valentes, Pedro e eu;

vejam só quem agarramos, vejam só... (flauta e orquestra)

 

- Se prestarem bem atenção, ouvirão um grasnar: "quá, quá, quá" que vem de dentro da barriga do lobo.

É que o lobo de tão esganado engoliu o danado do pato vivo...

 

(fim)

 

 

 

prokofiev

 

 

PROKOFIEV

 

Sergei Prokofiev nasceu na Ucrânia a 23 de Abril de 1891, na localidade de Somsovka. Iniciou seus estudos de música com a mãe, e compôs a sua primeira obra, uma pequena peça para piano, com a idade de 5 anos.


Em 1904 ingressou no Conservatório de S. Petersburgo, onde estudou até 1914, tendo como professores alguns dos mais proeminentes mestres russos da época. No último ano do Conservatório, é-lhe atribuído o prémio Rubinstein, a mais alta distinção concedida a um jovem pianista e compositor, tendo efetuado diversos concertos com obras suas que nem sempre foram acolhidos da melhor maneira pela crítica.


Em 1918 abandona a União Soviétca, onde o clima de agitação política e social não é propício à sua atividade. Vai para os Estados Unidos da América, onde permanece até 1922, e fixa depois residência em Paris até 1036. Apesar de tudo visita a União Soviética em 1927. Aqui durante 3 meses realiza vários concertos apresentando suas obras. Ao voltar para Paris, são-lhe enviados convites oficiais para regressar à URSS, e desenvolver aí a sua atividade


Em 1936 regressa definitivamente a Moscou, onde por instâncias oficiais lhe são encomendadas várias obras, entre elas, uma composição para ser utilizado em espectáculos para crianças. Numa semana Prokofiev compõe Pedro e o Lobo - Conto musical para crianças.

 

 fonte: repertoriosinfonico.blogspot / youtube

 

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