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Melro-Preto

 

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Nome Popular:  Melro

Nome Científico: Turdus merula

Distribuição: Europa, Ásia e África do norte

Classe: Aves

Ordem: Passeriformes

Família: Muscicapidae

 

 

 

 

CARACTERÍSTICAS:

Comprimento: entre 24 e 25 cm

Peso: 100 g

Três ninhadas por ano

Ovos: 3 a 6 de cada vez

Tempo de vida: até 20 anos no cativeiro e até 5 anos na mata.

 

 

 

 

 

Descrição

O melro-preto – Turdus merula, Linnaeus, 1758 – é uma espécie comum nas zonas verdes da generalidade das localidades do nosso país. Os machos são facilmente identificados pela sua plumagem preta, bico alaranjado e a auréola amarelada em torno do olho. As fêmeas e os juvenis são acastanhados, com algumas riscas ténues, e, embora possam ser confundidos com o estorninho-preto, a plumagem dos melros é mate e a dos estorninhos é brilhante. Tanto o macho como a fêmea possuem patas e cauda compridas.

 

 

 

 

Distribuição

Esta ave pode ser encontrada um pouco por toda a Europa, embora se aviste mais frequentemente na Península Ibérica. Está também presente no Norte de África e em alguns territórios da Ásia Central. Foi ainda introduzido na Austrália e na Nova Zelândia, pela mão humana, onde hoje não são muito populares.

 

Extremamente territorialista, o Melro vive em bandos na natureza, contudo, em cativeiro, vive melhor em casal ou com outras espécies de pássaros. Em virtude de seu canto, há criadores que preferem separá-lo da fêmea, juntando-os apenas durante a época de reprodução.

 

Com a crescente derrubada das matas, os melros foram obrigados a aprender a viver em jardins e até mesmo na cidade. Alimentam-se de frutos e legumes e causam grandes prejuízos aos pomares e hortas. O ninho é feito de galhinhos, perto do chão. Apenas a fêmea choca os ovos, mas o macho fica em seu lugar para protegê-los quando ela sai à procura de alimento.

 

 

 

Reprodução

De cruzamento sensível, o Melro reproduz-se apenas duas vezes por ano.

As fêmeas põem de três a cinco ovos que demoram cerca de 15 dias para eclodir.

 

 

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Alimentação

Dono de um canto melodioso, habita jardins, bosques, florestas e até cidades.

 

 

O melro-preto é omnívoro, consumindo uma grande variedade de insetosvermes, sementes e frutas. A caça é predominante, sendo particularmente importante durante a época de nidificação, com as sementes e frutas a serem mais consumidas durante o outono e o inverno. Alimenta-se sobretudo no solo, correndo e pulando, progredindo aos trancos e barrancos, com a cabeça inclinada para um dos lados. Caça principalmente com a visão mas também pode usar a audição, pesquisando o húmus em busca de minhocas e fazendo-as sair das suas tocas com o bico, e revirando folhas em decomposição de forma barulhenta e demonstrativa em busca de outros invertebrados. Ocasionalmente, pode ainda caçar pequenos vertebrados como girinos e pequenos sapos ou lagartos.

 

 

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Onde observar

Dado que se trata de uma das espécies mais conspícuas e adaptadas a meios humanizados, será por aí que o observador 
deve começar a busca desta espécie, pois nesses meios as aves são geralmente mais confiantes.

 

 

 

 Entre Douro e Minho – espécie comum na mata do Camarido junto ao estuário do Minho, nas lagoas de Bertiandos, no Parque da Cidade (Porto) e na serra da Peneda. Junto dos lameiros e zonas agricultadas, é uma espécie muito comum.

Trás-os-Montes – pode ser facilmente avistada em locais como as serras do Gerês, de Montesinho, da Coroa e do Alvão e ainda na zona de Miranda do Douro. Ocorre com frequência no interior das localidades.

 

Litoral centro – em locais como o pinhal de Mira, o pinhal de Leiria, as cidades de Aveiro e Coimbra, o baixo Mondego e a lagoa de Óbidos, esta é uma espécie comum.


Beira interior – é facilmente avistada nos andares inferiores da serra da Estrela, na zona do Sabugal, nas Portas de Ródão e em Vilar Formoso, distribuindo-se também pelos jardins das localidades desta região.

  

Lisboa e vale do Tejo – facilmente observada em qualquer parque ou jardim da cidade de Lisboa, nomeadamente em Monsanto, no jardim da Fundação Gulbenkian e no Parque do Tejo. Também pode ser visto no estuário do Tejo 
(sobretudo na zona de Pancas), na serra de Montejunto e na serra de Sintra, no paul do Boquilobo, na lagoa de Albufeira 
e junto ao cabo Espichel. A serra da Arrábida possui elevadas densidades desta espécie.

Alentejo – em alguns locais desta região, o melro-preto é bastante abundante, sendo mais comum na metade norte onde pode ser observado em Marvão, junto à albufeira de Montargil, na ribeira do Divor e em Arraiolos. Na metade sul, 
ocorre com frequência nas zonas florestadas do estuário do Sado, na lagoa de Santo André e na zona de Moura-
Barrancos. Também aqui, ocorre frequentemente em jardins urbanos, como é o caso dos jardins de Évora
  

Algarve – tal como nas regiões mais a norte de Portugal, está é uma espécie que é comum em zonas urbanas, como em Faro, Portimão e Silves. É comum junto ao cabo de São Vicente, na serra do Caldeirão, na Quinta do Lago e no 
Ludo. Também é fácil de observar em Vilamoura e na lagoa das Dunas Douradas.

 

 


    

 canto do melro (video: youtube)

 

 canto para ensinar filhotes (video: youtube)

 

 

 

 

 O MELRO

 

O melro, eu conheci-o: 
Era negro, vibrante, luzidio, 
Madrugador, jovial; 
Logo de manhã cedo 
Começava a soltar, dentre o arvoredo, 
Verdadeiras risadas de cristal. 
E assim que o padre-cura abria a porta 
 Que dá para o passal, 
Repicando umas finas ironias, 
 O melro; dentre a horta, 
Dizia-lhe: "Bons dias!" 
 E o velho padre-cura 
não gostava daquelas cortesias. 

O cura era um velhote conservado, 
Malicioso, alegre, prazenteiro; 
Não tinha pombas brancas no telhado, 
Nem rosas no canteiro: 
Andava às lebres pelo monte, a pé, 
 Livre de reumatismos, 
Graças a Deus, e graças a Noé. 
O melro desprezava os exorcismos 
 Que o padre lhe dizia: 
Cantava, assobiava alegremente; 
 Até que ultimamente 
 O velho disse um dia: 

"Nada, já não tem jeito!, este ladrão 
 Dá cabo dos trigais! 
 Qual seria a razão 
Por que Deus fez os melros e os pardais?!" 

 E o melro entretanto, 
 Honesto como um santo, 
 Mal vinha no oriente 
 A madrugada clara, 
Já ele andava jovial, inquieto, 
Comendo alegremente, honradamente, 
Todos os parasitas da seara 
Desde a formiga ao mais pequeno insecto. 
E apesar disto, o rude proletário, 
 O bom trabalhador, 
Nunca exigiu aumento de salário. 

Que grande tolo o padre confessor! 

 Foi para a eira o trigo; 
 E, armando uns espantalhos, 
 Disse o abade consigo: 
"Acabaram-se as penas e os trabalhos." 
Mas logo de manhã, maldito espanto! 
 O abade, inda na cama, 
Ouvindo do melro o costumado canto, 
 Ficou ardendo em chama; 
 Pega na caçadeira, 
 Levanta-se dum salto, 
E vê o melro, a assobiar, na eira, 
Em cima do seu velho chapéu alto! 

 Chegou a coisa a termo 
Que o bom do padre-cura andava enfermo; 
 Não falava nem ria, 
Minado por tão íntimo desgosto; 
E o vermelho oleoso do seu rosto 
Tornava-se amarelo dia a dia. 
E foi tal a paixão, a desventura 
(Muito embora o leitor não me acredite), 
 Que o bom do padre-cura 
 Perdera  o apetite! 
  

       Guerra Junqueiro

 

Fontes:  Petmag / wikipedia / avesdeportugal

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